Reserva de mercado resiste ao silêncio que
beneficia a imprensa
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Reserva de mercado resiste ao silêncio que
beneficia a imprensa
No final de agosto, dois jornais de São
Paulo – Diário Comércio & Indústria e Folha –
esboçaram o que parecia ser um racha no monolítico silêncio
da mídia sobre a reserva de mercado - a dela, bem entendido, porque
contra a dos outros ela faz campanha in memoriam desde que a Coroa instituiu
o monopólio sobre o pau-brasil que o fidalgo huguenote Nicolau Villegaignon
teimava em explorar no Rio.
O DCI, em três editoriais, e a Folha, em duas reportagens, ensaiaram
debate sobre o artigo 222 da Constituição que restringe a
propriedade das empresas jornalísticas a brasileiros natos ou estrangeiros
naturalizados há pelo menos dez anos. Empresas estrangeiras não
podem sequer ser sócias de um jornal, rádio ou TV – aliás,
mesmo as pessoas jurídicas nacionais podem deter no máximo
30% do capital, e sem direito a voto. A emenda constitucional que acabou
com a diferença entre empresas nacionais e estrangeiras pôs
em questão a reserva de mercado da mídia pelo aspecto jurídico,
mas é no ângulo econômico e ético que a questão
se distorce.
Não há editoriais em coro na defesa da livre concorrência
e do fim do “cartório” de uma imprensa que tem silenciado sobre
um benefício que usa mas veda a outros ramos da economia. A interpretação
do DCI (30/8) é que “o patronato, tido como liberal e globalizante,
se torna corporativo e xenófobo quando se trata de admitir a livre
concorrência”. O jornal soube dar tratamento de mercado à
questão política ao afirmar: “O aporte externo de capital
e tecnologia possibilitará acabar de vez, no país, com a
pirotecnia do patronato, que o afasta cada vez mais do verdadeiro jornalismo,
em nome da sustentação de tradicionais empresas familiares
pré-capitalistas”. O DCI pertence a Hamilton Lucas de Oliveira,
um novato no ramo do jornalismo, muito acusado pelos concorrentes de integrar
o Esquema PC no episódio da “raspadinha”
A Folha ouviu as corporações (ANJ, ANER, Abert e mesmo
a Federação Nacional dos Jornalistas) e concluiu que a maioria
aprova os estrangeiros na mídia – desde que o controle das empresas
permaneça com brasileiros. Mas tudo parece ter sido um surto de
transparência: logo a Folha e o DCI silenciaram e os demais jornais
e revistas continuam censurando o assunto, enquanto deblateram contra a
reserva de mercado em outros setores.
Boletim Nº 5 Agosto-Outubro de 1995
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