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Jornal brasileiro é mais caro que o americano Preços

Jornal brasileiro é mais caro que o americano

Têm grandes tiragens, não pagam impostos e custam o dobro

Apesar de festejarem excelentes negócios em 1995 — o faturamento declarado da publicidade, para os jornais conferidos pelo Projetos Intermeios, aumentou em 67%, passando de US$ 900 milhões para US$ 1,5 bilhão — os jornais brasileiros continuam caros. Comparados aos americanos são caríssimos, com a agravante de que nos Estados Unidos os jornais pagam impostos e, no Brasil, são isentos até dos tributos que deveriam incidir sobre o papel importado (Leia mais ). Os sucessivos aumentos de preço do papel (85% só em 1994) justificaram aumentos do preço do exemplar, mas os americanos cortaram despesas, reduziram o número de páginas; houve jornais que até fecharam, enquanto os brasileiros simplesmente repassaram a conta para o leitor. Comparando: nesse período, o New York Times aumentou 20%; a Folha de S.Paulo, 67%.

 Jornais e revistas criticam preços de outros produtos, como comida de restaurante, roupas e automóveis, considerando-os elevados em comparação aos americanos. O Instituto Gutenberg anotou o preço de banca nas cidades onde são editados quinze jornais e comprovou que eles também podem figurar nas listas comparativas de preços altos.

 O jornal americano é barato de segunda a sábado, e no domingo custa o dobro e quase o triplo. O Miami Herald pula de 35 centavos para um dólar. Em comparação, os grandes jornais brasileiros dobram o preço — de US$ 1 na semana para US$ 2 no domingo (Câmbio arredondado de um dólar igual a um real). Na banca abaixo, que inclui os maiores jornais de cada país, os quinze brasileiros custam US$ 15,20, e os quinze americanos a metade: US$ 7,21( O preço médio nessa banca é de US$ 1,01 para o jornal brasileiro e US$ 0,48 para o americano) .As revistas semanais não ficam atrás: Veja é 30% mais cara que Time; IstoÉ custa 36% a mais que Newsweek.

 Um dado importante, além da diferença no imposto, é a disparidade do poder aquisitivo: a renda per capita dos americanos é de US$ 25.860, seis vezes maior que a dos brasileiros, de US$ 4.345. A indústria jornalística nem pode usar o argumento — utilizado pelos editores de livros — de que o preço é alto porque as tiragens são baixas. O jornal brasileiro mais vendido, a Folha de S.Paulo, vangloria-se de ser o “maior do hemisfério”, mas é 33% mais caro na banca que o maior dos EUA, The Wall Street Journal. The Times, o grande jornal inglês, custa 48 centavos .

 A Folha tem um problema com a publicidade que influi no preço final. No faturamento da imprensa, o ideal é que a publicidade corresponda a 70%. Segundo o diretor de Circulação da Folha, Flávio Pestana, a receita da venda de jornais equivale à de anúncios — em torno de 50 a 55%. No Estadão, a venda de jornais significa apenas 20% do faturamento. Na Zero Hora, 36%. No Dia, do Rio, o mais barato dos jornais de grande tiragem, 40%. Na liderança das revistas, Veja obtém 30% do faturamento com a venda de 1,2 milhão de exemplares (dados de Meio & Mensagem, 18/3).

 

preços na banca durante a semana

(em dólar / US$ 1 = R$ 1)

jornais brasileiros

Correio Braziliense 1,00
O Dia (RJ) 0,40
Diário do Nordeste (CE) 1,00
Diário de Pernambuco 1,00
Diário Popular (SP) 0,80
Estadão (SP) 1,00
Estado de Minas 1,00
Folha de S.Paulo 1,00
Gazeta Mercantil (SP) 2,00
Folha de Londrina (PR) 1,00
O Globo (RJ) 1,00
Jornal do Brasil (RJ) 1,00
O Popular (GO) 1,00
A Tarde (BA) 1,00
Zero Hora (RS) 1,00

revistas

IstoÉ 4,00
Veja 3,80

Jornais americanos

Boston Globe (Masachusetts) 0,50
The Columbus Dispatch (Ohio) 0,35
Christian Science Monitor 0,75
Dallas Morning News (Texas) 0,50
Miami Herald (Flórida) 0,35
Minneapolis Star Tribune (Minnesota) 0,35
St. Petersburg Times (Flórida) 0,50
The New York Times (Nova York) 0,60
The Phoenix Gazette (Arizona) 0,35
Sacramento Bee (Califórnia) 0,46
Salt Lake Tribune (Utah) 0,50
Seattle Times (Washington) 0,50
USA Today (Nacional) 0,50
Wall Street Journal (Nova York) 0,75
The Washington Post (DC) 0,25

revistas

Newsweek 2,95
Time 2,95
      Boletim Nº 8  Março-Abril  de 1996
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