Instituto Gutenberg


Extraído da página da Federaçao Nacional dos Jornalistas (Fenaj)

Em 20 países da região (gráfico 1) existem 1.146 jornais diários e com uma tiragem conjunta de 28,9 milhões de exemplares para 452,5 milhões de habitantes. Neste contexto, somente o Uruguai tem índice de leitura comparável ao dos países desenvolvidos, com 227 exemplares para grupo de mil habitantes. Na faixa entre cem e 200 exemplares, apenas quatro países (Costa Rica, México, Venezuela e o território de Porto Rico). Na outra ponta desta realidade, o Brasil e o terceiro país com o pior índice de leitura (28 jornais para grupo de mil), à frente do Equador (26) e do Haiti (apenas 6,9 exemplares).

Quadro comparativo América Latina

Jornais diários - Gráfico 1

PAÍS JORNAL TIRAGEM JORNALISTAS
Argentina 230 2,65 mi* 14.000
Bolívia 31 353 mil. 1.300
Brasil 331 4,30 mi* 20.000
Chile 39 840mil 4.000
Colômbia 29 1,34 mi* 3.000
Costa Rica 6 321 mil 600
Cuba 1 420 mil
El Salvador 5 253 mil
Equador 38 287 mil 1.200
Guatemala 5 180 mil
 Haiti 4 23 mil
Honduras 4  223 mil
 México 301 12,40 mi* 21.000
Nicarágua 8 232 mil 900
Panamá 5 181 mil 600
Paraguai 4 127 mi l.900
Peru 12 1,30 mi* 3.500
Porto Rico 4 435 mil 
Uruguai 36 700 mil 
Venezuela 54 2,40 mi* 3.000
Total 1.146 28,965 mi* 76.000

* milhões; Fontes: Enciclopédia Abril; ANJ/SIP; Felap/FENAJ; Indicadores Folha S. Paulo


    Comparativamente a um outro país americano, os EUA, estes dados são frustrantes. Naquele país, existem mais opções de diários, 1.611, com uma tiragem conjunta de 62,5 milhões de exemplares para cada mil habitantes - mais de 50% superior à tiragem dos jornais da América Latina (gráfico 2). Assim, nos Estados Unidos registra-se 251 jornais/dia para cada mil habitantes, enquanto na América Latina esta proporção fica em modestos 64 exemplares. Mas isso é apenas uma das faces do resultado da concentração de riquezas nas América, onde o Produto Nacional Bruto (PNB) é quase cinco vezes maior ao da região - US$ 5,9 trilhões contra US$ 1,2 trilhões.

Gráfico 2

REGIÃO HABITANTES JORNAIS TIRAGEM PNB (em US$)
A. Latina 452,5 mi* 1.146 28,9 mi* 1,2 trilhão
E. Unidos 252,0 mi* 1.611 62,5 mi* 5,9 trilhão

*em milhões

    A estes dados soma-se outra característica externamente grave do sistema de comunicações na América Latina: a elevada concentração da propriedade dos meios. Neste caso, o Brasil é o exemplo mais gritante, sobretudo pelo monopólio exercido pelas organizações Globo, cuja a rede de televisão cobre 99% das cidades brasileiras com audiência diária de até 90 milhões de telespectadores. Abaixo da família Marinho, da Globo , oito outras famílias controlam os meios de comunicação no país, cuja receita publicitária em 1993 ficou na casa dos US$ 4 bilhões. Beneficiada pelo poder público e por um sistema de concessões para o funcionamento de emissoras de responsabilidade exclusiva do Ministério das Comunicações até 1988, a mídia brasileira cresceu durante o regime militar, inspirando-se no modelo e na produção americana, mas sem qualquer regulamentação , ao contrário dos EUA. Reflete, desta forma , a realidade de concentração dos meios e de massificação de programação presentes em outros países da América latina, inibindo a expressão das culturas regionais e locais e sufocando a pluralidade de pensamentos, a cidadania.

Gráfico 4

Região Rádios     Televisões  
  Emissoras Aparelhos Emissoras Aparelhos
A. Latina 6.378 141,4 mi* 1.354 74,2 mi*
E. Unidos 10.178 520,0 mi* 1.342 215,0 mi*

* em milhões