Instituto Gutenberg

Notícia também é notícia
O Instituto Gutenberg nasce, homenageando o alemão que inventou os tipos móveis da imprensa, credenciando-se a ser um fiscal independente da mídia. Todas as pessoas e instituições que se aglutinam em torno do Instituto tem a defesa das liberdades democráticas incrustadas em seus currículos e zelam pela liberdade de imprensa como um valor da sociedade, tanto quanto a liberdade de expressão, de religião, de organização e os direitos individuais que dão sentido e força a uma nação civilizada.
O Instituto quer suscitar debates hoje sufocados e iluminar áreas sombreadas, como, por exemplo, os limites éticos, o zelo profissional, a precisão das informações, a manipulação do noticiário e a relação muito especial entre as empresas de comunicação ( e seus jornalistas) e as personagens das notícias. Uma iniciativa desse tipo é oportuna porque não só o país goza atualmente das mais amplas liberdades democráticas de sua história, como a imprensa, desfrutando desta liberdade, está forte e inquieta em seu papel de fiscal do poder público. Análises da mídia, comuns nos países desenvolvidos, não teriam sentido se a imprensa sofresse alguma restrição em sua tarefa de informar e o público não usasse seu direito de ser informado.
Análises e debates sobre a mídia são comuns na pátria da liberdade de imprensa, os Estados Unidos. Uma infinidade de jornais abre-se em debate para o público, através dos ombudsmen, enquanto outros tratam sua própria atividade como notícia. Os maiores jornais americanos, como o The New York Times, o Washington Post e o Los Angeles Times publicam rotineiramente notícias da mídia. As universidades mais respeitáveis, como as de Columbia e Washington, publicam revistas que mais que um exercício acadêmico são um esquadrinhamento o procedimento da mídia americana. Não é por acaso. Sociedade de advogados, os Estados Unidos levam a mídia para os tribunais com a mesma facilidade com que um atropelado processa o atropelador.
No Brasil, o aperfeiçoamento técnico-industrial da mídia não tem correspondido ao rigor ético que o resto do mercado se submete, sob pena de ela ser alcançada pelo braço repressor do Estado. O Instituto Gutenberg acha que a imprensa não pode ser regulada por leis. Assim como o Código Penal não proíbe ninguém de matar ninguém, nenhum jornal deve ser proibido de publicar o que bem entender. Mas, tal como o Código Penal descreve o que é crime e fixa punições, nosso ponto de vista é que cada um deve responder pelo que o outro considerar crime.
Vamos alentar debates vitais ao fluxo da informação , como a necessidade ou não de uma lei de imprensa, definição de um rito para sumário julgamento de delitos atribuídos à mídia e sobretudo a garantia do direito de resposta. Uma das nossas bandeiras é que os cidadãos devem ter direito de resposta rápido e fácil, como já ocorre na lei eleitoral.

Boletim nº 1, Março de 1995
© Instituto Gutenberg 
 

Índice