A internet e a mídia impressa Instituto Gutenberg

Tecnologia da informação

A internet e a mídia impressa

Aluízio Batista de Amorim

Nos idos de 1971, quando iniciei a carreira jornalística jamais poderia imaginar o avanço que os veículos de comunicação poderiam experimentar nas duas décadas subseqüentes. Minha primeira experiência profissional conheceu uma impressora rotoplana, linotipo e clichês. Um ano depois, olhei maravilhado para a performance da impressão em off-set de um jornal e, mais ainda, o sistema de foto-composição a frio que utilizava um sistema composer IBM, um arremedo de computador. Depois, vi um teletipo da Associated Press enviar em tempo quase real, o noticiário da guerra do Vietnã em boletins extraordinários desde os confins da Ásia. E, mais ainda, vibrava com as telefotos, transmitidas em onda curta, através de uma geringonça que emitia uma série de sinais e impregnava o papel fotográfico sensível com as imagens das mais diversas partes do mundo. Entretanto, o sistema sofria com qualquer interferência de descargas elétricas da natureza, turvando as fotos e truncando os textos que eram transmitidos pelo velho teletipo. Logo depois, o telex aposentava o teletipo e surgia a telefoto através da linha telefônica, banindo os barulhentos receptores das agências. Depois...., bom, depois a ciência disse-nos, finalmente, a que veio.
Nesses 27 anos de vida profissional pude conhecer o que seja, talvez, o maior avanço da história da humanidade na área da comunicação. São apenas menos de três décadas, um lapso de tempo diminuto na história do progresso científico, e milimétrico na história da civilização. A velocidade em que se deu os avanços tem um aspecto vertiginoso que deslumbra e amedronta, que constrói e se supera numa cadência louca e autofágica.
De todos esses progressos a que aludimos e que têm como carro-chefe o computador e a descoberta dos chips, das fibras óticas e de toda a parafenália tecnotrônica que hoje faz parte do nosso dia-a-dia, a Internet é talvez a invenção que veio não só revolucionar a difusão da informação, como também para demolir conceitos e velhos paradigmas, muitos deles sustentados no anonimato dos segredos que servem à dominação política. Veja-se por exemplo, o fato da censura à Imprensa que nos sufocou no tempo da ditadura militar. Esta por si só é uma faceta do estrago que a Internet faz nos meios tecno-burocráticos, que vivem mais dos "segredinhos" de grupelhos encastelados nas organizações, do que de competência e criatividade. A Internet, na minha opinião, proclama um rotundo "não" à hipocrisia de uma sociedade que por muito tempo foi manipulada pela mentira sistemática de grupos dominadores.
É possível, a partir destas breves reflexões, estabelecer um paralelo entre a mídia impressa - jornais principalmente e revistas de informação - e a Internet. Ouso afirmar que ao contrário do que se pode imaginar num exercício de futurologia, as duas mídias - Internet e Imprensa - estão longe de ser antagônicas. Antes vivem a mais perfeita simbiose. A conjugação dos dois veículos contribui, ainda mais, para que se chegue a acurácia no processo informativo. Enquanto a mídia impressa tem uma natureza essencialmente documental, a Internet é uma espécie de guardiã da liberdade da informação. É o veículo que é capaz de interagir com o leitor ou internauta. Ela pode ser o veículo de uma mentira, mas é capaz de devassar com inaudita rapidez os mais recônditos espaços, velando para que na mídia impressa escape à sanha dos mentirosos, preservando seu caráter documental.
Entretanto, estabelecer algum tipo análise entre esses dois veículos de comunicação é assunto que nos remete aos mais variados links, para usar um jargão dos internautas. E, como a ciência não tem qualquer tipo de anteparo à sua evolução, as linhas que esboçamos aqui se reduzem, apenas, a uma vaga, tímida e insuficiente divagação. Os links são infinitos.

Aluízio Batista de Amorim Jornalista é mestre em Direito pela UFSC e atualmente Chefe do Departamento de Comunicação do Sistema FIESC
aluizio-amorim@fiescnet.com.br
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Boletim Nº 25 Série eletrônica
Março-Abril, 1999

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