Um dos grandes projetos jornalísticos do século, o do jornal francês Le Monde, está ameaçado de perder sua principal característica: a propriedade dos jornalistas. Fundado por inspiração do general Charles de Gaulle, em 1944, Le Monde tem a maioria das suas ações nas mãos dos profissionais que o fazem. Eles possuem 52% do capital, e uma dívida de US$ 12 milhões. Se não pagarem, poderão perder o domínio do jornal para as empresas e mesmo a Sociedade dos Leitores que controla o resto do capital. Os jornalistas vão descontar uma taxa do salário para pagar a dívida.
O jornal tem reagido bem à grande crise da imprensa francesa, ainda hoje subsidiada pelo governo. Le Monde teve lucro no ano passado e conseguiu deter a queda de vendas, enquanto os concorrentes perdem leitores. Atualmente Le Monde vende 500 mil exemplares por dia, a maior tiragem da França, responsável por 75% da receita. Os jornalistas sabem que precisam aumentar a publicidade. O ideal, no modelo clássico, é que a venda direta do jornal signifique 20% e a publicidade, 80% do faturamento.
Boletim Nº 16, Julho-Agosto de 1997
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