Se Collor venceu...
Uma questão intrincada que os historiadores da imprensa ainda
têm pela frente é a do famoso debate Collor x Lula na eleição
de 1989. A versão resumida do debate exibida pela TV Globo no Jornal
Nacional é muito citada como decisiva para a vitória de Collor.
Mas o vice-presidente da Globo, João Roberto Marinho, apresentou,
num seminário sobre o Brasil na Universidade de Oxford, na Inglaterra
(Folha, 10/12), um argumento considerável. “Collor foi muito melhor
que Lula no debate. A primeira edição da reportagem (que
tinha sido levada ao ar no Jornal Hoje) tentava mostrar um equilíbrio
entre os candidatos. Isso não é jornalismo”, disse Marinho.
Corrupção vip
Quando você é flagrado numa infração de
trânsito, o que deve fazer? Pessoas honestas submetem-se à
lei. Os editores da revista ExameVIP têm, no entanto, uma receita
alcaponiana para livrar o motorista brasileiro que for parado por um guarda
em alguns países e regiões do mundo, inclusive o Brasil.
Segundo a revista, o infrator deve tentar subornar o guarda para isentar-se
da multa ou de uma penalidade maior. A revista, uma versão de Nova
para executivos, publicou seu guia do crime na seção “Como...”
do n.º de novembro/97. A receita é clara e direta: como “...subornar
guardas mundo afora”.
A publicação da Editora Abril divulga um roteiro, passo
a passo, para o motorista apanhado em flagrante numa infração
fazer uma proposta de suborno ou retirá-la, disfarçadamente,
se o guardião da lei “explodir”. Uma tabela indica o grau de facilidade
ou dificuldade com que os distintos leitores de ExameVIP podem praticar
a corrupção em alguns países e regiões do mundo.
Resposta casada
Ao noticiar as últimas pesquisas do Datafolha sobre a popularidade
do presidente Fernando Henrique Cardoso, a Folha já nem informa
os percentuais de respostas para ótimo, bom, ruim e péssimo.
Em 12/11, o jornal noticiou que o percentual de aprovação
(ótimo+bom) era de 27%, e o de reprovação (ruim+péssimo),
de 29%. O leitor fica sem saber qual o percentual dos que acham o presidente
ótimo ou péssimo. A pesquisa é transparente num ponto:
como sempre, a maioria (43%) achava o presidente regular.
Vítimas da notícia
Nome: Natan Pereira Gatinho
Veículo: TV Mundial / Radio Cidade FM, Paragominas (PA)
Data: 11/1
Nome: Edgard Lopes de Farias
Veículo: Rádio Capital/TV Record, Campo Grande (MS)
Data: 29/10
São os dois brasileiros que aparecem na lista de 47 jornalistas
assassinados no ano. A relação foi preparada pela Federação
Internacional dos Jornalistas (IFJ), com sede em Bruxelas, na Bélgica,
e inclui os profissionais comprovadamente mortos no exercício da
profissão.
O número tem decrescido: em 1996, cinquenta jornalistas foram
assassinados. Em 1995, sessenta, e em 1994, o recorde macabro: 115 mortos.
contrapauta
RESERVA - Do jornal O Batente, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais
de Pernambuco: “Cumprindo a promessa feita ao Sindicato dos Jornalistas,
a prefeita de Olinda, Jacilda Urquisa, nomeou o jornalista Marcílio
Brandão para comandar a secretaria de imprensa municipal.”
EXAGERO – “Varig muda endereço de sua loja em Paris” foi o título
em seis colunas da página A9 do Estadão, em 25/12. O jornal
não gostou da mudança e criticou a empresa no subtítulo:
“Decisão, adotada a seis meses da Copa, é vista como um grande
erro de marketing”.
PLURALISMO - O ano acabou e o Jornal do Brasil, o mais virulento crítico
do projeto da nova de lei de imprensa, não deu a palavra ao relator
da matéria, deputado Vilmar Rocha.
CHACOTAS - Depois de a revista Exame escolher a TAM como a “Empresa
do Ano”, a Revista Nacional de Telecomunicações declarou
a Telerj “Operadora do Ano 1997 graças às transformações
por que passou e por sua performance.”
Boletim nº 19 Novembro-Dezembro de 1997
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