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História

A imagem medonha da paz


A Unesco tem uma nova embaixadora itinerante, a vietnamita Him Puc. Ela é a prova horrenda da magnânima função da imprensa. Os fatos:
Quando Thanh My, um fotógrafo da Associated Press (AP) foi morto na Guerra do Vietnã, em 1965, seu irmão Huyng Cong pediu a vaga. "Cresça primeiro, depois me procure", disse Horst Faas, chefe do escritório da agência americana em Saigon. O jovenzinho tanto insistiu que lhe deram tarefas menores no laboratório e, aos poucos, com o apelido de Nick Ut, foi usando a câmera até ser despachado para as frentes de combate. O neozelandês Peter Arnett, principal repórter da AP no Vietnã, conta o resto da história em seu livro Ao vivo do campo de batalha:
– Numa tarde do fim da primavera [8 de junho ] de 1972, eu estava no escritório com Horst quando Nick Ut, ensopado de suor, desceu do carro de volta de Cu Chi, trazendo fotos de uma aldeia arrasada pelo napalm, com pessoas aterrorizadas e uma mocinha nua gritando enquanto descia a estrada correndo, as roupas queimadas fora do corpo.
A mocinha era Kim Phuc, com 9 anos. A imagem bélica virou um ícone pacifista. O mundo inteiro horrorizou-se um pouco mais com a insensatez da guerra. Kim Puc já fez 17 cirurgias plásticas, tornou-se médica, vive no Canadá e sua função como embaixadora da Unesco será divulgar a própria tragédia como uma mensagem de paz. Nick Ut, hoje na sucursal da AP em Los Angeles, ainda usa a câmera que ajudou a acabar com um dos conflitos mais cruéis da história.

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Boletim Nº 25 Série eletrônica
Março-Abril, 1999

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Jornal dos Jornais
Textos da coluna do Instituto Gutenberg na revista Jornal dos Jornais - nº 1 - Março de 1999

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