Quem derrubou <BR>o Fokker da TAM? Instituto Gutenberg

Sugestão de pauta

Quem derrubou
o Fokker da TAM?

Engenheiro diz que foram os pilotos

O professor de Engenharia aposentado Fernando Lobo Vaz de Mello perdeu um filho, também engenheiro, de 27 anos, no vôo 402 da TAM que caiu em São Paulo em 31 de outubro de 1996. Nunca se conformou com a conclusão de que o avião foi derrubado por um relé defeituoso que acionou a reversão de uma turbina na hora da decolagem. Pesquisou os relatórios oficiais sobre o acidente (recorreu à Justiça para obter uma cópia, censurada pelas autoridades) e chegou à conclusão de que o Fokker da TAM teria subido se os pilotos tivessem seguido o manual.

O professor Mello publicou um artigo de oito parágrafos no Jornal do Brasil, em 12/7. Seus pontos mais importantes: “Após uma pesquisa detalhada desse documento, obteve-se um conjunto de dados que mostra o que realmente aconteceu no vôo 402 e que ultrapassa a meia verdade de um simples relé defeituoso. Durante a operação de taxiamento do vôo 402, a aeronave emitiu dois alarmes sonoros indicativos de problemas, ignorados pela tripulação, o mesmo acontecendo quando pela terceira vez soou um alarme na cabine, durante o início da corrida de decolagem. Caso a tripulação tivesse considerado quaisquer desses alarmes, teria condição de retornar e estacionar a aeronave com segurança. Imediatamente após a decolagem, o relé defeituoso causou uma abertura do reverso do motor direito. Essa anomalia e os procedimentos que a aeronave executa automaticamente para contorná-la, permitindo que o vôo prossiga em segurança, constam no seu manual de operação.

Quando o reverso é inadvertidamente aberto em vôo, a potência do respectivo motor é automaticamente cortada, ficando disponível para a sua operação outro motor, que é suficiente para um vôo seguro, mesmo durante a decolagem.

Contrariando a recomendação de que as ações corretivas de vôo só devem ser tomadas acima de 1000 pés de altura, a tripulação tentou pretensamente solucionar a anomalia causada pela abertura do reverso do motor direito, que não foi por ela reconhecida, abaixo de 1000 pés de altura. A altura máxima atingida durante o vôo 402 foi cerca de 200 pés. A tripulação, para eliminar a ação do travamento automático da alavanca de aceleração do motor defeituoso, forçou essa alavanca três vezes, terminando por romper seu acionamento. Paralelamente à ruptura do cabo, um dos tripulantes diminuiu de maneira inconseqüente a potência do motor esquerdo, o único então em operação normal. O desconhecimento da tripulação sobre o que ocorria culminou na perda de controle da aeronave.”

Nenhum jornal se interessou pelas conclusões do engenheiro.


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Boletim Nº 34 Série eletrônica
Setembro-Outubro de 2000

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Jornal dos Jornais
Textos da coluna do Instituto Gutenberg na revista Jornal dos Jornais - nº 17 - agosto de 2000