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A guerra acabou


Um dos casos mais pitorescos de administração de um furo ocorreu com três repórteres do INS, uma pequena agência de notícias que tentava concorrer com as gigantes AP e UPI na cobertura da Guerra da Coréia. Os jornalistas acampavam num prédio em ruínas de Seul. Numa noite quente e sem notícias, de junho de 1953, o repórter John Casserly, bêbado até as botas, entrou no quarto do INS e balbuciou: “Pois é, acabou tudo.”

Seu colega Robert S. Elegant, que contou a história para o livro Jornalistas em ação (Agir, 310 págs., 1962) não lhe deu atenção. Casserly cambaleou e insistiu: “Voxouviuqueudisse? Disse que acabou tudo. O capitão Oh foi que me contou”, referindo-se a uma fonte bem colocada no governo de Seul. A guerra acabara por acordo entre americanos e comunistas e enquanto os bambambãs da AP e da UPI jogavam cartas, um repórter fora de combate curtia o furo em álcool.

Rapidamente, Elegant sacudiu Casserly, perguntou, perguntou e foi no quarto ao lado buscar o chefe da equipe Howard Handleman, que papeava com os concorrentes. Os dois entrevistavam o bêbado a golpes de café amargo. Tudo fizeram para que os outros jornalistas nada descobrissem. Era uma decisão difícil basear-se no relato de um repórter alcoolizado, mas os dois sóbrios resolveram bancar e mandaram o furo para os Estados Unidos. A bomba da paz estourou em cada lar americano. Logo os concorrentes largavam o baralho e iam ao escritório do INS perguntar a origem da informação.

De manhã cedo, comemorando a façanha, Elegant e Handleman brindaram com um drinque no justo momento em que o ressacado Casserly acordou e os olhava, segundo Elegant, “com evidente espanto e desaprovação aos nos ver de copos de bebida na mão às sete horas da manhã.”


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Boletim Nº 34 Série eletrônica
Setembro-Outubro de 2000

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Jornal dos Jornais
Textos da coluna do Instituto Gutenberg na revista Jornal dos Jornais - nº 17 - agosto de 2000