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Exterior
O perdigueiro e o general

Seymour Hersh na cola de Barry McCffrey

São raros os casos em que uma fonte investigada pela imprensa antecipa-se para boicotar uma reportagem ainda em apuração. Mas aconteceu com o general Barry McCffrey, atual chefe da repressão às drogas nos Estados Unidos. Ele veio a público para negar que, durante a Guerra do Golfo, em 1991, soldados sob seu comando, na 24ª. Divisão de Infantaria do Exército, tenham cometido crimes como execução sumária de prisioneiros iraquianos.

O problema do general é que em seu calcanhar está um perdigueiro de faro apurado, o repórter Seymor Hersh. Hoje com 63 anos, trabalhando como colaborador da revista New Yorker, Hersh entrou para a história do jornalismo ao revelar, em 1969, o massacre de My Lay, uma aldeia do Vietnã arrasada por soldados americanos. Os militares negaram, mas o jornalista provou que em 1968 soldados da maior potência bélica do planeta agiram como bárbaros numa aldeia de civis, trucidando velhos e crianças. A bombástica reportagem contribuiu para colocar a opinião pública americana contra a guerra.

Ao saber que Hersh investigava a suposta execução de prisioneiros, o general McCaffrey (para rápida identificação: aquele é que é sempre chamado de "o czar antidrogas") mandou cartas para os principais meios de comunicação dos Estados Unidos qualificando as informações já obtidas pelo repórter de "difamatórias". Mas não quis receber o jornalista para confrontar as versões.


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Boletim Nº 32 Série eletrônica
Maio-Junho de 2000

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Jornal dos Jornais
Textos da coluna do Instituto Gutenberg na revista Jornal dos Jornais - nº 15 - Junho de 2000