Instituto Gutenberg

História

O beija-mão


A mais jocosa demonstração de vassalagem da história brasileira tem tudo para ser a do político baiano Otávio Mangabeira (1886-1960) ao general Dwight Eisenhower (1890-1969). O chefe militar americano visitava a Assembléia Constituinte, em 7 de agosto de 1946, com o prestígio de guerreiro que ajudara a derrotar o nazismo na recém-acabada Segunda Guerra Mundial. Mangabeira, presidente da União Democrática Nacional (UDN), saudou o velho Ike com viscosa bajulação, oscultando-lhe uma "reverência mais eloqüente que quaisquer palavras, inclinando-me respeitoso diante do general comandante chefe dos exércitos que esmagaram a tirania, e beijando, em silêncio, a mão que conduziu à vitória as forças da liberdade." E não é que beijou mesmo? Um jovem fotógrafo registrou a cena. Era Ibrahim Sued (1929-1995), que anos depois se tornaria o mais famoso colunista social do país.


©Instituto Gutenberg
Boletim Nº 31 Série eletrônica
Março-Abril de 2000

  Índice

igutenberg@igutenberg.org


Jornal dos Jornais
Textos da coluna do Instituto Gutenberg na revista Jornal dos Jornais - nº 13 - Abril de 2000