Instituto Gutenberg

Fotografia

Toque no retoque

Exemplo de adulteração de imagens é fraude da fraude

A exposição Retoques de Stalin, prevista para abril, no Planetário do Rio, é a oportunidade para conferir a forma marota como o ditador soviético Joseph Stalin mandava extirpar da iconografia da Revolução os ex-companheiros que caíam em desgraça. Há numerosos casos de desvanecimento de dirigentes como Grigori Zinoviev e Lev Kamenev, com os quais Stalin ascendeu ao poder, em 1924, e que foram por ele condenados à morte dez anos depois, durante o grande expurgo no Partido Comunista. Quando se tornavam inimigos, os velhos amigos eram apagados da vida e da galeria do poder.

A exposição é fruto do livro The Comissar Vanishes (O comissário desaparece), preparado pelo inglês David King, ex-editor de arte do jornal Sunday Times, que se tornou um historiador da fotografia. King estudou o assunto, esmiuçou as técnicas dos retocadores e selecionou cem fotos alteradas.

Até o surgimento do livro, o caso de retoque mais divulgado foi o de uma foto em que Vladimir Lênin aparece num palanque, discursando para tropas diante do Teatro Bolshoi, em 1920, com o corpo voltado para a direita. Na escada, vê-se Leão Trotski, outro renegado, que se exilaria em 1929 e terminaria assassinado, no México, supostamente por ordem do ditador. Para demonstrar o retoque, tem-se exibido ao longo de décadas uma segunda imagem em que Trotski já não está na escada do palanque. Ocorre que não é a mesma foto. Trotski até pode ter sido apagado da segunda fotografia, mas é perfeitamente claro que são chapas diferentes.

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Boletim Nº 31 Série eletrônica
Março-Abril de 2000

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Jornal dos Jornais
Textos da coluna do Instituto Gutenberg na revista Jornal dos Jornais - nº 13 - Abril de 2000