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Conhece Liverpul?

Uma lista de nomes estrangeiros aportuguesados

A grafia dos nomes próprios é uma bagunça na imprensa. O Estadão chama a província chinesa de Taiwan, enquanto no Jornal do Brasil ela é Formosa. Poucos sabem que existem formas aportuguesadas para nomes de pessoas e localidades, mas a grafia, de tão desusada, afigura-se esquisita. Eis uma lista, preparada pelo professor Celso Pedro Luft (quando o reconhecimento é impossível, a forma mais usada vai entre parênteses): Antioquia, Arécio (Arezzo), Baviera (e não Bavária), Bilbau (e não Bilbao), Bismarque, Bombaim, Bóston (ó), Cádis, Camboja, Cantuária (e não Canterbury), Coblença (Koblenz), Coneticute (Connecticut), Dacar, Dresda (Dresden), Estalingrado, Fiji, Gândi, Gêngis-Cã, Hanói, Hanôver, Helsínqua (Helsink), Húdson (ú), Ilinois (Illinois), Jacson, Jérsia ou Jérsei (Jersey), Lausana (Lausanne), Lênine (ou Lenine), Lião (Lyon), Lípsia (Leipzig), Liorne (Livorno), Liverpul (Liverpool), Lovaina (Louvain), Luzerna (Lucerne), Manchéster (é), Marselha (ê), Mênfis), Missuri, Mogúncia (Mainz), Mompilher (Montpelier), Nova Orleães, Nurembergue, Oaio (Ohio), Oclaoma, Otava (Ottawa), Oxônia (Oxford), Salisburgo (Salzburg), Samatra (e não Sumatra), Sídnei (Sydney), Seravejo, Sorbona (Sorbonne), Telavive (Tel-Aviv), Tenessi (Tennessee), Tibete, Tolosa (Tolouse), Trípolis (com s), Vancôver, Vietnã, Vladivostoque, Zurique.

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Para Manuel Bandeira, quiçá era a palavra mais feia da língua portuguesa. É uma escolha pessoal. Tabu, por exemplo, não fica atrás: é palavrinha horrorosa, ainda mais quando usada indevidamente pelos redatores e locutores de esporte com aquela história de que é um tabu um time não vencer o outro há tantos jogos.

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Sabe aquele racha disputado na praia, às vezes com uma singela bola de meia? No país do futebol, a Rede Globo diz que o nome do jogo é...beat soccer.

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Os incentivadores do barbarismo na língua portuguesa têm mais um adepto qualificado: o lingüista John Robert Schmitz, da Universidade de Campinas. Em artigo na Folha ("Língua pasteurizada", 6/1) ele argumentou que o aportuguesamento "poderia desfigurar as palavras e até impedir a compreensão". E perguntou: "Os praticantes das atividades `karaokê´ e ´karatê` aceitariam as grafias ´caraoquê´ e ´caratê`?" Essas dúvidas relevantes levam o nome de Linguística Aplicada.


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Boletim Nº 30 Série eletrônica
Janeiro-Fevereiro, 2000

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Textos da coluna do Instituto Gutenberg na revista Jornal dos Jornais - nº 11 - Fevereiro de 2000


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