O poder da ficção Instituto Gutenberg
logojj.gif - 14,47 K

Sigilo

O poder da ficção

Jornal inventa nome para fonte que deseja proteger

  Decididamente, a imprensa não deve atribuir nomes fictícios a entrevistados. Em situações nas quais se aplica o pretexto de proteção da fonte, costuma-se omitir o verdadeiro nome da pessoa ou rebatizá-la, como um romancista cria personagens de ficção. Se a fonte precisa de proteção, porque a sua identificação poderia acarretar transtornos, melhor seria o meio de comunicação escolher uma qualificação - a profissão, por exemplo - e por ela referir-se ao entrevistado anônimo.

Constitui licenciosidade com os fatos expedientes como este da Folha: "O artista gráfico Roberto (nome fictício), 28, diz que...". E mais na frente, consolidada a impostura, a ficção ganha ares de realidade: "Roberto afirma também..." Que poder de alterar fatos e maquiar informações tem um jornal? Nenhum. O jornalismo segue o caminho inverso desse roteiro de ficção. Se um dado precisa ser omitido, o meio de comunicação deve explicar que motivo relevante o impede de cumprir seu papel de contar a verdade. Não pode é inventar nomes para fontes ou pessoas citadas numa reportagem.


©Instituto Gutenberg
Boletim Nº 29 Série eletrônica
Novembro-Dezembro, 1999

  Índice

igutenberg@igutenberg.org


Jornal dos Jornais
Textos da coluna do Instituto Gutenberg na revista Jornal dos Jornais - nº 8 - Novembro de 1999