A placa do Barão Instituto Gutenberg
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História


A placa do Barão


O episódio tem umas três versões de local e data, mas, pela seriedade da pesquisa, a de Cláudio Figueiredo afigura-se a mais verossímil. No livro Barão de Itararé - As Duas Vidas de Aparício Torelly, ele conta que em 1934 o humorista, já célebre fundador da irreverente A Manha, lançou o Jornal do Povo. Enquanto A Manha era um “órgão de ataque de...risos”, o Jornal do Povo nascia como folha oficiosa do Partido Comunista, a que o Barão pertencia e pelo qual seria eleito vereador no Rio em 1945. O atrativo do jornal foi uma série de reportagens com João Candido, marinheiro que em 1910 liderara a Revolta da Chibata, insurgindo-se contra a rotina dos castigos corporais na Marinha. Vinte e quatro anos depois, o assunto ainda mexia com os brios da Armada, uma tropa elitista que não aceitava a forma como a imprensa tinha divulgado a reação dos marinheiros ao que era encarado como prática disciplinar entre os militares.
As reportagens do Barão, baseadas nos relatos pessoais de João Candido, descreveram minuciosamente os acontecimentos de 1910. Todo mundo sabia que ia dar rolo, e deu. Quando saiu a terceira reportagem, o Barão foi seqüestrado em Copacabana, insultado, espancado e abandonado nu no distante subúrbio de Jacarepaguá. Os agressores nunca foram identificados, mas se especulou na época que eram oficiais da Marinha desgostosos com as reportagens. O Jornal do Povo publicou mais sete edições e fechou. O Barão relançou A Manha e colocou na porta uma placa que se tornou comum nos escritórios do país:
– Entre sem bater.


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Boletim Nº 28 Série eletrônica
Setembro-Outubro, 1999

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Jornal dos Jornais
Textos da coluna do Instituto Gutenberg na revista Jornal dos Jornais - nº 6 - Setembro de 1999