Três séculos de luz Instituto Gutenberg
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Três séculos de luz


Um texto que há três séculos e meio iluminou o caminho da liberdade na Inglaterra é, enfim, oferecido aos leitores brasileiros. Trata-se de Areopagítica, soberba defesa da liberdade de expressão feita em 1664 pelo altivo John Milton (1608-1674), o poeta fulgurante de Paraíso Perdido. O livro sai em edição bilíngüe, de 214 páginas, da editora Topbooks, com tradução de Raul de Sá Barbosa e prefácio do historiador Perfeito Fortuna. Defensor das liberdades civis, partidário da Revolução contra a Monarquia, artista comparado a Shakespeare, Milton modelou o intelectual engajado nas causas de seu tempo. Como jornalista, dirigiu o Mercurius Politicus, folha de apoio à política de Oliver Cromwell em favor do puritanismo calvinista que conduziu a Inglaterra à liderança da Europa.
Um de seus livros de maior repercussão na época foi Doutrina e Disciplina do Divórcio – no qual expôs idéias muito particulares sobre as diferenças entre homens e mulheres. O líder do parlamento, Robert Palmer, indignado com a discussão pública do assunto, defendeu a incineração da obra. Em resposta, Milton escreveu a Areopagítica – alusão ao Areópago, supremo tribunal de Atenas, célebre pela sabedoria de suas decisões. O texto eloqüente é dirigido ao parlamento inglês na forma de uma recomendação para que deixasse circularem livremente as doutrinas antagônicas. A praça pública, dizia o poeta-jornalista, numa recomendação tão propícia aos nossos dias, era o foro adequado para separar o joio do trigo. E cunhou a frase-síntese do embate das idéias: “Deixemos que a verdade e a falsidade se batam. Quem jamais viu a verdade levar a pior num combate franco e livre?”
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Boletim Nº 27 Série eletrônica
Julho-Agosto, 1999

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Jornal dos Jornais
Textos da coluna do Instituto Gutenberg na revista Jornal dos Jornais - nº 4 - Julho de 1999