Trenzinho na estação Instituto Gutenberg
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Trenzinho na estação


Chama a atenção como a imprensa tem renunciado a certos temas, em parte por ideologia, em parte por covardia. Deixou em brancas nuvens, por exemplo, o programa executado pela Orquestra Sinfônica de São Paulo na abertura da Sala Júlio Prestes, uma antiga estação ferroviária transformada, por R$ 44 milhões, num teatro de concertos sinfônicos. Na inauguração foi executada uma única peça, a Sinfonia n.º 2 do austríaco Gustav Mahler. As Bachianas embarcadas no Trenzinho do Caipira, do carioca Villa-Lobos, nem pensar.
Ah! se isso acontecesse na Alemanha, na Inglaterra, no Japão, nos Estados Unidos. Toda essa conversa de universalidade da arte seria subjugada pelo mais musical dos nacionalismos. Na França, então, daria crise de Estado. Em 1989, quando o maestro (argentino) Daniel Barenboim [diretor da Orquestra de Paris] preparou a programação dos 200 anos da Revolução, a imprensa botou a boca no trombone contra a lista de Mozart, Schubert, Beethoven. O presidente François Mitterand obrigou Barenboim a destacar os compositores nacionais, como Debussy e Ravel. Mas o Brasil talvez tenha um patrimônio cultural (e uma imprensa) mais internacionalistas que a caipira França.


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Boletim Nº 27 Série eletrônica
Julho-Agosto, 1999

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Jornal dos Jornais
Textos da coluna do Instituto Gutenberg na revista Jornal dos Jornais - nº 5 - Agosto de 1999