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Dicionário


T de teria e de tacanho


A expressão “teria” (sido, feito, dito, praticado, roubado...) é imprópria à precisão do jornalismo. “Teria” serve à divulgação de barbaridades pelas quais ninguém se responsabiliza. Nem quem informa, nem quem passa adiante “fatos” do einsteniano tempo verbal futuro do pretérito. Os redatores sabem, e se não sabem intuem, que esses verbos nomeiam supostos acontecimentos do passado cujas provas passeiam errantes no futuro.
O uso abusivo da expressão “teria sido” funciona como um pára-raios ortográfico-jurídico que protege o autor de processo de calúnia. Constitui, também, manejo tacanho da técnica jornalística. Em vez de dizer que determinada pessoa “teria” praticado determinado ato, é mais preciso e correto noticiar que ela é acusada ou suspeita de fazê-lo. “O deputado é acusado pela polícia de mandar matar a deputada” é mais consistente do que “o deputado teria mandado matar a deputada”. Essa fórmula tem outra qualidade: atribui a informação a fonte qualificada, providência que o estudioso americano Eugene Goodwin, autor do livro Procura-se> Ética no jornalismo, chama de “um princípio cardeal do jornalismo.”
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Boletim Nº 26 Série eletrônica
Maio-Junho, 1999

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Jornal dos Jornais
Textos da coluna do Instituto Gutenberg na revista Jornal dos Jornais - nº 2 - Abril de 1999

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