Contra ou a favor? Instituto Gutenberg
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Causo


Contra ou a favor?


A crônica sobre repórteres que consultam a linha da casa antes de cumprir uma pauta, tem passagens memoráveis, mas nada se compara à de Alcindo Guanabara (1865-1918). Grande jornalista e parlamentar, polemista afiado, brilhou nas redações e na cena política do país do final do século até a I Guerra Mundial. Começou como varredor de chão na Gazeta da Tarde e chegou a dono de jornais. Abraçou o ideário republicano, foi preso e desterrado por criticar o presidente Prudente de Moraes, escreveu livros, tornou-se membro-fundador da Academia Brasileira de Letras, mas toda sua gloriosa biografia é detonada pela mais famosa e repetida anedota da imprensa brasileira. Está contada em livros, artigos, revistas e, segundo Nelson Werneck Sodré em A História da Imprensa no Brasil, ficou nos anais da Academia, num discurso venenoso do escritor Carlos de Laet.Certa vez, durante a Semana Santa, o Jornal do Comércio encomendou um artigo sobre Jesus Cristo, e Alcindo perguntou:
– Contra ou a favor?
As línguas de cicuta espalharam que artigo contra era mais caro, por exigir engenho e arte para convencer leitores de um país católico. Muitos amigos se empenharam, no entanto, em defender Alcindo. O jornal pertencia a José Carlos Rodrigues, membro da seita protestante anabatista. Se o dono não era um católico batizado, o redator apenas quis saber qual era a orientação da casa.
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Boletim Nº 26 Série eletrônica
Maio-Junho, 1999

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Jornal dos Jornais
Textos da coluna do Instituto Gutenberg na revista Jornal dos Jornais - nº 3 - Maio de 1999

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