Concerto de papel Instituto Gutenberg
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Causo


Concerto de papel


Como todo causo de alta quilometragem, este também roda pelas redações mudando o lugar, o assunto e os nomes dos personagens. A versão aqui relatada é a de Francisco Pati, jornalista da primeira metade do século, em São Paulo, que a registrou no livro A Cidade sem Portas (Memórias de um jornalista).
Os retardatários já arrumavam as gavetas na redação do Correio Paulistano quando o secretário Flamínio Ferreira descobriu, soterrado na mesa, um convite para um recital de um pianista. Era, por motivo imperioso, assunto obrigatório para a edição do dia seguinte. Àquela hora o concerto já devia ter acabado, o crítico de música estava longe e a demissão do secretário, próxima. Um redator, Carlos de Campos, ofereceu-se para resolver o problema. Campos preparou uma circunstanciada crítica do espetáculo, baseada nas peças musicais citadas no convite. Ele era também um pianista. “Falou, por isso, na técnica do recitalista com absoluto conhecimento de causa, elogiando a execução desta peça, fazendo restrições à execução daquela – e assim por diante”, conta Pati. No dia seguinte, um tonitruante protesto desafinou a redação. O concerto fora adiado.
©Instituto Gutenberg
Boletim Nº 26 Série eletrônica
Maio-Junho, 1999

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Jornal dos Jornais
Textos da coluna do Instituto Gutenberg na revista Jornal dos Jornais - nº 2 - Abril de 1999

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