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História atualizada

Obra clássica de Nelson Werneck Sodré sai com novo capítulo

A Bienal do Livro do Rio relança, em abril, um clássico que eleva a densidade intelectual de qualquer biblioteca: Historia da Imprensa no Brasil, de Nelson Werneck Sodré. General do Exército, militante comunista, crítico literário, autor de obra fecunda, Sodré morreu em 13 de janeiro, em Itu (SP), aos 87 anos e 50 livros. Seu epitáfio poderia ser uma observação do implacável crítico Agripino Grieco: "É admirável historiador e sociólogo, sem intrujices nas idéias, sem lantejoulas nas palavras."
Lançado há 32 anos, História da Imprensa no Brasil ainda é a única obra a fazer jus ao título abrangente. A historiografia brasileira carece de estudos sobre a imprensa. Nenhum dos grandes jornais, extintos, como o Correio da Manhã, ou nas bancas, como o Estadão, foi esquadrinhado em trabalho independente e saboroso como a biografia de Assis Chateaubriand escrita por Fernando Moraes (Chatô - O Rei do Brasil). Quanto mais se olha para o passado, maior é a lacuna do presente: pouco sabemos de alguns jornalistas que se confundiram com a história do país, como o baiano Cipriano Barata (1762- 1838) e seus jornais republicanos e sazonais, publicados entre uma e outra perseguição do governo, intitulados Sentinelas da Liberdade. Barata foi o único jornalista brasileiro condenado à prisão perpétua. É igualmente pequena a produção dos historiadores acerca do buliçoso pernambucano Antonio Borges da Fonseca (1808-1872), inimigo da monarquia, sempre disposto a trocar a pena pela espada (participou da Revolução Praieira, em 1848). Quem quer saber deles tem de ler a História da Imprensa no Brasil.
Ninguém se engane: é um livro engajado e enviesado, costurado com as linhas oblíquas do materialismo histórico. Não tem o equilíbrio e a profusão de detalhes de obras similares, como História da Imprensa nos Estados Unidos, de Edwin Emery. Mas é uma enciclopédia de fatos, datas, personagens e encadeamentos que situam na história o desenvolvimento da imprensa do século XVI aos anos 60. A edição a ser lançada na Bienal do Rio, pela editora Mauad, terá um capítulo de atualização, no qual o autor repassa a imprensa dos anos 70 a nossos dias. Quem leu garante que Sodré repreende a mídia de hoje como esculachou a "imprensa áulica" do Império, inaugurada pela Gazeta do Rio de Janeiro, em 1808, o primeiro jornal brasileiro financiado pelo governo.

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Boletim Nº 25 Série eletrônica
Março-Abril, 1999

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Jornal dos Jornais
Textos da coluna do Instituto Gutenberg na revista Jornal dos Jornais - nº 1 - Março de 1999

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