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Cãezinhos de estimação, cães de guarda e vira-latas

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Cãezinhos de estimação, cães de guarda e vira-latas

(Este artigo contém trechos da pesquisa do professor Wolfgang Donsbach.
Aqui você pode ler o artigo na íntegra. As tabelas estão em preparação.)

 

Pesquisador alemão comprova a objetividade dos jornalistas americanos

O jornalista americano tem mesmo o ideal da objetividade? O pesquisador alemão Wolfgang Donsbach, diretor do Departamento de Comunicação da Universidade de Tecnologia de Dresden, ouviu profissionais de cinco países e respondeu sim. Donsbach e Thomas Patterson, da Universidade de Siracusa, submeteram questões de procedimento a profissionais de jornais (50%), TV (35%) e rádio (15%) na Alemanha, Itália, Inglaterra, Suécia e Estados Unidos e concluíram: “Em comparação com seus colegas europeus, os jornalistas americanos conseguem os maiores pontos quanto à importância da objetividade. Nove entre dez dizem que é muito importante que um jornalista tente ser tão objetivo quanto possível; na média, 10 pontos percentuais a mais que seus colegas dos outros países”. Objetividade no jornalismo, segundo eles, “significa expressar com equidade a posição de cada lado em uma disputa”.

 A pesquisa foi publicada na revista Media Studies Journal, do Freedom Forum Media Studies Center, do qual o Instituto Gutenberg obteve autorização de reprodução. Donsbach produziu dez alentados gráficos, dos quais, por edição e economia de espaço, podemos reproduzir os quatro abaixo (Os gráficos ainda não estão disponíveis na edição on-line). O título “Cãezinhos...” é de Donsbach, e brinca com a expressão watchdog, cães de guarda, referencial do jornalismo americano. “Em comparação com seus colegas europeus, os americanos acreditam menos que é importante “defender valores e idéias particulares”... 71% dos entrevistados alemães e 74% dos italianos disseram que é muito ou bem importante para eles defender valores e idéias particulares”, escreveu Donsbach. Apesar disso e por causa disso, é muito maior o controle das notícias nas redações americanas ¾ é o país onde as reportagens mais são alteradas pelos editores, como garantia de que a objetividade será preservada, e a opinião separada do comentário. Nos Estados Unidos, como no Brasil, as funções pouco se misturam. Na Alemanha, 74% dos jornalistas que responderam à pesquisa escrevem a notícia e o editorial; na Itália, 44%; nos Estados Unidos, 17%, e na Suécia, 11%.

Segundo Donsbach, essa atitude editorial tem raízes no século passado, quando a imprensa inventou o leitor. “Os Estados Unidos são o país onde o ideal do jornalismo objetivo nasceu. Michael Schudson, em seu livro Descobrindo as notícias, descreve como, começando nos idos de 1830, os e-ditores soltaram os laços com figuras políticas, partidos e grupos de interesse, e ten- taram vender notícias para o público. Seguindo uma raciocínio econômico de que com menos parcialidade mais leitores seriam atraídos para uma reportagem, os fatos tornaram-se o conteúdo principal dos jornais e substituíram as anteriormente dominantes páginas de opinião”.

      Boletim Nº 8  Março-Abril  de 1996
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