Um dos casos mais acintosos da edição de 1997 de Exame-Melhores e Maiores é o da Tigre. A famosa fabricante de tubos e conexões ficou em oitavo lugar entre as dez empresas listadas no placar de excelência empresarial de “Materiais de Construção”, com 400 pontos. A Santa Marina, com 635, foi declarada a melhor empresa do setor. Na safra de erros, os editores descartaram a rentabilidade da empresa, a maior do setor (14,4%), e tomaram-lhe 300 pontos. Com a cota de rodapé n.º 6, Exame informou aos leitores que a Tigre não fez a correção do lucro líquido e do resultado e por isso perdeu os pontos em rentabilidade.
A Tigre fez, sim, a correção monetária do balanço. Preencheu correta e completamente o questionário da revista. Pelo que o Instituto Gutenberg pôde apurar, a Tigre foi uma das raras companhias lesadas que reclamou de Exame. A empresa contestou a revista (leia à direita) e recebeu como resposta uma explicação cabalística, sem pé nem cabeça, e muito menos baseada nos critérios da revista, numa demonstração de que os critérios são tão confusos que ela já não sabe como justificá-los. Veja este trecho literal da carta: “No caso a Tubos e Conexões Tigre pelo fato de ser uma empresa limitada está desobrigada a publicar balanço e os seus efeitos. Portanto os efeitos da inflação foram estimados pela revista e que por esse motivo não foi atribuída pontuação conforme explicação também na página 41.” Este inadequado “portanto” entra aí como Pilatos no Credo. Ora, a Tigre é de fato companhia limitada, como dezenas e dezenas de outras que aparecem nas listas de Exame, e não é obrigada a publicar o balanço, como o são as sociedades anônimas. A revista pede que preencham o questionário padrão e remetam as “demonstrações contábeis e parecer de auditor, quando for o caso”. A Tigre fez direitinho o dever de casa.
A argumentação da carta de Exame é completamente estranha aos próprios critérios da revista. A equipe teria dado uma resposta mais palatável se dissesse, apenas, que a Tigre não foi declarada a melhor empresa do setor de “Materiais de Construção” por causa de um problema na Rebimboca Contábil da Parafuseta.
À
Revista Exame
A/C Nelson Carvalho e Ariovaldo dos Santos
Queremos parabenizá-los pela excelente publicação de Melhores e Maiores de 1997. A referida publicação apresenta a melhor fotografia das maiores e melhores empresas do país.
A Tigre figura na 146.ª posição entre as 500 Maiores Empresas Privadas por Vendas.
Gostaríamos porém, de fazer duas importantes observações quanto ao Setor de Materiais de Construção:
a) Rentabilidade: A Tigre obteve uma Rentabilidade de 14,4% conforme a página 71, no entanto, acreditamos que por um lapso a empresa nem sequer consta no quadro de rentabilidade, enquanto que o correto seria estar em primeiro lugar, conforme abaixo:
1 Tigre 14,4
2 Incepa 13,7
3 Cimento Rio Branco 13,4
4 Santa Marina 8,3
5 Cisper 7,3
6 Votorantim 6,3
7 Cimento Itaú 2,8
8 Nadir Figueredo 0,8
9 Portobelo -0,1
10 Cimento Eldorado -1,6
b) Excelência Empresarial: Com a alteração da pontuação do item “a”, a Tigre automaticamente passa a ser a primeira colocada no Setor de Materiais de Construção.
Assim sendo, devido a relevância das alterações, gostaríamos que V.Sas. de alguma forma, consigam corrigir a publicação, bem como, fazer as devidas alterações no seu banco de dados.
Certo da compreensão de V.Sas. para o nosso pleito, antecipadamente agradecemos pelas providências a serem tomadas, e, ficamos a
disposição para quaisquer outros esclarecimentos que se fizerem necessários.
Atenciosamente
Evaldo Dreher
Diretor de Relações com o Mercado
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