A revista Exame deve aos seus leitores, anunciantes e fontes de informação uma correção severa dos erros graves cometidos na edição especial Melhores e Maiores de 1997. A revista cometeu equívocos ao apontar determinadas empresas como as melhores do Brasil em alguns setores. Em certos casos, seria justo a revista tomar os prêmios de volta e dá-los às companhias vítimas dos erros de julgamento e da manipulação de critérios.
Alguns dos equívocos mais graves foram apontados na edição de julho-agosto deste boletim. Lamentavelmente, nossa análise continha erros - imediatamente reconhecidos em carta enviada à revista. Na edição datada de 24/09, Exame publicou trechos da carta do Instituto Gutenberg (leia à esquerda e na pág.2),mas fez vista grossa para as estripulias metodológicas e aritméticas que cometeu ao analisar empresas e distribuir prêmios. A revista está numa encruzilhada ética: se admitir as distorções, terá de redistribuir prêmios. Se não reconhecer os erros flagrantes, sua credibilidade editorial e metodológica permanecerá afetada.
Melhores e Maiores é uma edição especial anual de Exame, editada pela respeitável e séria Editora Abril. Tradicionalmente, a revista faz uma lista das maiores empresas do Brasil, por faturamento. Classifica essas empresas em setores, dos quais uma parte é analisada para que seja apontada a melhor companhia do setor. Em 1997, Melhores e Maiores 1) Selecionou 21 setores para analisar; 2) Fez uma lista das 20 maiores empresas de cada setor e as submeteu a seis critérios de avaliação técnica: Liderança de Mercado, Crescimento de Vendas, Rentabilidade, Liquidez, Endividamento e Vendas por Empregado; 3) Apontou a melhor companhia de cada setor e, 4) do "cotejo entre elas", escolheu a TAM como a melhor das melhores, a Empresa do Ano (detalhes da metodologia estão a seguir).
O Instituto Gutenberg conferiu os critérios divulgados pela revista e concluiu que nem todas as 21 empresas apontadas como as campeãs de seus setores são, de fato, as melhores. No setor da indústria farmacêutica, por exemplo, a revista entortou os trilhos para dar o prêmio à Roche:sonegou pontos à Bristol-Myers Squibb (leia na pág.4) e trapaceou com os dados da Boehringer De Angeli, fabricante do analgésico Anador. No quesito Crescimento de Vendas, a Boehringer tinha direito a 150 pontos e levou nota zero (leia a seguir). Ganhou folgadamente, mas é exemplo acabado de ganhar sem levar.
No setor de Automóveis e Peças, o prêmio foi entregue à Freios Varga por conta de uma manobra. A revista remanejou, para o setor de Material de Transportes, duas tradicionais empresas de autopeças, a Marcopolo e a Randon. Se permanecessem no setor de Automóveis e Peças, as duas tirariam pontos da Freios Varga e o prêmio seria da Fiat.
Outro erro sério é visível no setor de Higiene e Limpeza. Melhores e Maiores enfiou na competição uma empresa fantasma, a Niasi. Ela não consta da edição e, portanto, não poderia competir. A concorrência da Niasi fez com que o título de melhor do setor fosse tirado da Memphis e dado à Natura (leia na pág. 3). Um problema parecido ocorreu no setor de Plásticos e Borracha. A revista atribuiu pontos a uma empresa - a Providência - que também não poderia concorrer por que seus dados estavam incompletos. Resultado: a intrusa influenciou a contagem final, tirou pontos da Vipal e o prêmio foi para a Pirelli Pneus.
É dever técnico e ético de Exame-Melhores e Maiores aperfeiçoar e respeitar seus critérios. Eles mudam sem justificativa e oscilam como fole de sanfona. Ao preparar a edição de 1997, a revista introduziu critérios cuja manipulação não foi explicada às empresas que preencheram os questionários da revista (leia na pág. 4). Resultado: 120 companhias foram desclassificadas no valioso quesito da Rentabilidade do Patrimônio. Dessas, oito eram, de fato, as melhores em seus setores, mas não viram a cor do prêmio.
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Boletim Nº 17 Edição Extra Outubro de 1997
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