Onde a imprensa errou (e depois acertou) o passo no noticiário sobre a morte de PC Farias?
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Em questão

Onde a imprensa errou (e depois acertou) o passo no noticiário sobre a morte de PC Farias?

Cobertura usou o modelo habitual da dúvida cínica, humilhação de fontes e valorização de versões, mas trouxe a novidade da crítica e da autocrítica

"Na cobertura sobre a morte em Maceió, a imprensa sensacionalista se esbaldou, inventando as hipóteses as mais absurdas."
Revista Veja, 14/8

"Nunca tantos jornalistas chutaram tanto em tão pouco tempo."
Correio Braziliense, 7/7

A cobertura da morte do vilão n° 1 do Brasil e de sua namorada pode ficar como um marco divisor do jornalismo brasileiro, nesses tempos em que a mídia acha que ser o quarto poder significa substituir e escarnecer dos outros três. Mais uma vez, com o mesmo destrambelho com que se atiraram na cobertura das CPIs de Collor-PC e do Orçamento, rádios, TVs, jornais e revistas cometeram erros graves — do uso abusivo de fofocas, violação de privacidade, citação excessiva de fontes anônimas (off the record) ao destaque de versões delirantes (leia no n° 9: Cobertura insensata da morte de PC Farias é "queima de jornalismo"). A diferença positiva é que desta vez a mídia não atuou em bloco, mas dividiu-se; uma parte desencaminhou-se no turvo "jornalismo" do off e das suposições, e outra rendeu-se aos fatos. Já na terceira semana de noticiário insensato e manipulado, um e outro meio de comunicação descobriu que seu papel é divulgar informações, não fabricá-las; informar o público, não basear-se nas suspeitas dele.
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Número 10, julho-agosto de 1996
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