Em relação à matéria publicada no boletim de janeiro-fevereiro de 1996, páginas 4 e 5, acerca da pesquisa sobre a imagem das instituições, o Datafolha tem alguns reparos a fazer:
1. O artigo afirma que o Datafolha divulgou uma metodologia cabalística.
Como de hábito o jornal reservou um espaço considerável
para a publicação de um box metodológico contendo
explicações importantes para a interpretação
correta da pesquisa. O Datafolha foi o primeiro instituto, aliás,
a divulgar a metodologia de seus estudos, seguindo recomendações
do Código Internacional de Normas para a Publicação
de Resultados de Pesquisa de Opinião Pública elaborados pela
ESOMAR/WAPOR (European Research), atitude seguida posteriormente por alguns
órgãos, mas sem o grau de detalhamento dos boxes divulgados
pelo Datafolha.
Nesse estudo específico constava da publicação
o numero de entrevistas realizadas, a área geográfica coberta,
período de realização do campo, explicação
sobre a comparabilidade de resultados com pesquisas realizadas anteriormente,
técnica utilizada, formulação completa das perguntas,
margem de erro e nomes dos profissionais envolvidos no trabalho. Não
me parece correto considerar esse conjunto de informações
como “metodologia cabalística”, ainda mais se levarmos em conta
a limitação de espaço existente na imprensa escrita.
2. O artigo afirma que o instituto não conseguiu tabular as respostas negativas e que utilizou truques de tabulação.
Apesar da transparência com que a pesquisa foi divulgada, o autor (oculto) do texto não foi capaz de entender um procedimento simples e frequentemente utilizado em pesquisas de opinião, que é a elaboração de um ranking a partir das respostas positivas dadas pelos entrevistados. Obviamente as três respostas tiveram o mesmo peso na tabulação dos resultados, estabelecendo-se o critério de ordenar as instituições em ordem decrescente de acordo com a grau de positividade obtido na pesquisa. É o mesmo critério utilizado para a elaboração dos famosos rankings de prefeitos ou governadores, utilizando-se para isso apenas as taxas de aprovação (ótimo/bom) obtidas junto aos respectivos eleitorados. É irresponsável, portanto, afirmar que o instituto “não conseguiu tabular” as respostas negativas ou que utilizou “truques de tabulação”.
3. O autor afirma que a pesquisa conferiu prestígio às instituições.
Ao elaborar perguntas para questionários previamente estruturados um instituto de pesquisas deve buscar o máximo de neutralidade. No Datafolha as formulações de questionários são exaustivamente discutidas e pré-testadas por seus técnicos. Tanto a pergunta referente ao prestígio quanto a que se refere ao poder das instituições tinham por objetivo medir a imagem destas junto à população. Ao contrário do que o autor do artigo entendeu, a pesquisa não auferiu poder ou prestígio às instituições investigadas e sim captou a imagem que os pesquisados têm dessas instituições nos aspectos abordados (prestígio e poder), no período em que a pesquisa foi realizada.
4. O artigo compara a pesquisa do Datafolha com as de outros órgãos.
Ao cotejar a pesquisa do Datafolha com as de outros institutos o autor comete um erro primário nesse tipo de análise que é o de comparar alhos com bugalhos. Em sua pesquisa o Datafolha mediu a imagem que as instituições detém junto à população de 11 capitais em relação, especificamente, aos aspectos de prestígio e poder. Nos exemplos colhidos pelo autor, tanto a Standard, Ogilvy & Mather quanto o Ibope e o Vox Populi mediram o grau de confiabilidade (diferente de prestígio ou poder) das instituições em diferentes universos e datas. A Standard ouviu chefes de família e donas de casa em sete capitais em setembro de 1994. O autor não informa os universos e formulação das perguntas aplicadas pelo Ibope e Vox Populi em junho de 1993 e maio de 1995 respectivamente (possivelmente porque normalmente não são divulgadas as metodologias). De qualquer forma não são pesquisas que possam ser comparadas pois, se analisadas com um mínimo de atenção, mostram-se muito diferentes conceitualmente e realizadas em datas e junto a universos diferentes.
5. O autor coloca em dúvida a isenção da pesquisa e do instituto.
Quanto à independência e imparcialidade do Datafolha
em relação à Folha de S. Paulo, questionadas pelo
autor, estas podem ser comprovadas ao se analisar o histórico da
relação do instituto com o jornal. Em várias oportunidades
a Folha divulgou pesquisas cujos resultados batiam de frente com sua linha
editorial. Além disso os conhecidos acertos do Datafolha em seus
levantamentos eleitorais comprovam a confiabilidade do instituto.
Mauro Francisco Paulino
Gerente de Pesquisas de Opinião do Datafolha