Credibilidade
15%
Pesquisa do Datafolha diz que jornais são a segunda "instituição" mais confiável do Brasil
Os jornais são os veículos de maior credibilidade entre os
meios de comunicação, superando o rádio, a TV e a Internet. E entre doze instituições
citadas, só perdem, com 15%, para a Igreja Católica, que merece a confiança de
30% dos entrevistados. Os números emergiram de
uma pesquisa feita pelo Datafolha
com 1605 brasileiros de mais de 16 anos, nas cidades de São Paulo, Rio, Porto
Alegre, Brasília e Recife, no período de 18 a 20 de julho de 2001. A principal
pergunta foi: “Em qual destas instituições você mais acredita?”, e foi dada ao
entrevistado a opção de escolher Igreja Católica, jornais, igrejas
protestantes, emissoras de TV, emissoras de rádio, Internet, Judiciário,
governo federal, revistas, clubes de futebol, Congresso Nacional e partidos
políticos.
Credibilidade da Imprensa
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Em qual destas instituições você acredita mais? (%)
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Igreja Católica
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30
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Jornais
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15
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Igrejas protestantes
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11
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Emissoras de TV
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11
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Emissoras de rádio
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5
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Internet
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5
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Judiciário
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4
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Governo federal
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3
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Revistas
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3
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Clubes de futebol
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2
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Congresso Nacional
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1
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Partidos políticos
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0
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Pesquisa do Datafolha divulgada pela
Associação Nacional de Jornais em
13/08/2001
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Quinze por cento de credibilidade não é grande coisa, mas,
em verdade, os números foram baixos para todos. Nenhuma das instituições chegou
perto de 50%. A magreza do índice não impediu os jornais de comemorarem com
títulos como “Igreja e jornais são as instituições nas quais a população mais
confia” (Folha, 14/08).
Pesquisas feitas pela mídia sobre a mídia constituem um
conflito de interesses (o Datafolha pertence e traz no nome identificação com a
Folha de S.Paulo, assim como o InformEstado e o Infloglobo). Remetem à velha
pergunta formulada, em 1996, neste boletim: “Por que a credibilidade da
imprensa só é elevada nas pesquisas que ela mesma faz?” Permanece a dúvida
ali levantada: “Pode ser coincidência ou questão de método, mas toda vez que um
jornal faz pesquisa sobre a imprensa, ele próprio colhe um everéstico índice de
credibilidade. Quando a pesquisa é feita por institutos independentes, a
credibilidade desce ao chão como as raízes das árvores que fornecem papel aos
jornais.” A exceção foi um
levantamento do Gallup para a revista Imprensa, em 1997, segundo a qual,
numa escala de 1 a 10, a imprensa conquistou a nota 6,99 de confiabilidade,
superada pelos Correios, com 7,94.
Na última pesquisa minuciosa sobre a mídia de notícias de
que o Instituto Gutenberg tem conhecimento, feita pelo Instituto Vox Populi, em
novembro de 1997, os resultados foram diferentes dos apresentados agora pelo
Datafolha. Os entrevistados disseram confiar mais na TV (43%) que nos jornais
(24%). Em 1993, o Ibope concluiu que jornais e revistas tinham credibilidade
inferior à dos bancos - 22% contra 28%. E há ainda aquela humilhação brotada de
um levantamento Listening Post,
de 1995, na qual os entrevistados afirmaram acreditar mais nos anúncios (52%)
que nas reportagens (39%).
Quando mede a “credibilidade”, “confiabilidade”, “prestígio”
de instituições, os institutos oferecem opções diferentes. Uns, como o Ibope,
já incluíram os Correios, os professores e a polícia; outros, a exemplo do Listening Post,
pediram a avaliação da publicidade, do Exército e dos bancos. Salta aos olhos
que o Datafolha tenha incluído as “igrejas protestantes” (presume-se que não
sejam as igrejas protestantes propriamente ditas, mas as não católicas) e
omitido a instituição que é campeã de credibilidade nestas sondagens, os
Correios. Quando o entrevistado tem a oportunidade de escolher o serviço
postal, a “família” ou os “bombeiros”, como numa pesquisa da Fundação Instituto
de Administração da Universidade de São Paulo (FIA/USP), realizada em 1999,
a imprensa fica em nono lugar. Perde até para os “artistas”.
Surpreende na pesquisa do Datafolha a baixa confiança que os
entrevistados têm na TV (11%) e sobretudo no rádio (5%). Paradoxalmente, esses
veículos são as principais fontes de informação (55%) noticiosa da população,
embora, segundo o Datafolha, apenas 21% dos entrevistados tenham dito que não
lêem jornais. É de destacar também que apenas 38% responderam que os jornais
têm “muita credibilidade”, enquanto 43% preferiram a opção “um pouco de
credibilidade”, e aqui é vez de apontar que a questão honesta seria “pouca” e
não “um pouco”. E por que os jornais têm “um pouco de credibilidade”? Porque
“publicam mentiras” (39%). Lamentavelmente, a pesquisa indica que é superior
(52%) o número de entrevistados que defende a liberdade total da imprensa, mas
alarmantemente alto (46%) os que aceitam “algum tipo de controle”.
22/08/2001
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