Comentário do Dia -
Centro de Estudos da Imprensa

    Comentário do Dia

    Os últimos a saber

    Imprensa repete lorotas que grudaram na História

    Certas inverdades grudam na História como um carrapato que só a pesquisa pode exterminar. Repete-se a mancheias, por exemplo, que o Brasil tem mais feriados que os Estados Unidos, que a legislação trabalhista é única no mundo ou que "fomos o último país a abolir a escravidão". Forjada por um, a lorota é repetida por muitos e ganha foros de verdade.

    A potoca da derradeira abolição consta, até, de documentos oficiais, a exemplo de "Educação no Brasil - 1995-2001", do Ministério da Educação. Uma pesquisa mínima comprovaria que, se o Brasil foi o ultimo país a instituir a República na América do Sul, em 1889, muitas nações mantiveram a escravatura depois de 1888, quando um grande movimento de ruptura conseguiu libertar os escravos daqui - embora muita gente ainda ache que a Lei Áurea foi obra da Princesa Isabel.

    Na condição de último país a saber que não foi o último país a abolir a escravidão, o Brasil serve sua inverdade a estrangeiros que conhecem o assunto como a palma da mão, a exemplo do canadense Paul Lovejoy, da Universidade de York, autor de livros e coordenador de um Atlas histórico da escravidão que está em andamento. No Rio para palestras, Lovejoy foi entrevistado pelo Caderno Idéias, do Jornal do Brasil. Primeira pergunta:
    - Por que o Brasil foi o último país a abolir a escravidão?
    - (...) Se você levar em conta só as Américas, o país realmente se livrou da escravidão muito tarde. Mas se pensarmos na história mundial, não. A Mauritânia, a Arábia Saudita e muitos outros países só eliminaram a escravidão por volta de 1960. Na Nigéria, de onde vieram muitos dos cativos brasileiros, os últimos escravos foram libertados nos anos 30 (...)
    24/11/2001

    ©Instituto Gutenberg

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