Toma que o erro é teu
Dois pontos para meditação dos consumidores de informação:
jornais erram e atribuem o erro aos outros.
1 - Em 21/7, ao noticiar na primeira página a estréia
da seleção de futebol do Brasil na Olimpíada de Atlanta,
o Estadão anunciou: "Ninguém tem dúvida: o time de
Zagalo deve ganhar com facilidade o jogo de estréia em Miami. A
garotada olímpica, herdeira direta das benesses do quarto título
mundial, vive na Flórida uma experiência inédita. Todos
acreditam em sua criatividade e em seu sucesso". No dia seguinte à
derrota de 1 a 0, o jornal deu o título: "Depois de prever goleada,
seleção de Zagalo dá vexame contra o Japão".
2 - Numa reportagem sobre a falsificação do jornal Cidadela,
dos alunos da Faculdade da Cidade, o Jornal do Brasil (27/6) reproduziu
declarações do assessor da diretoria, Paulo Alonso, que disse
desconhecer a origem do "ato autoritarista (sic) e do preconceito exacerbado".
O advérbio sic é usado pelos jornais, entre parênteses,
para deixar claro que o original está errado. Ocorre que a palavra
autoritarista está registrada no Aurélio como "relativo ao,
ou sectário do autoritarismo". Quem errou ao atribuir um erro à
fonte foi o jornal.
Política na TV
As chacotas e as impenitentes notícias contra o horário
político — e tudo que diz respeito à política — conduzem
à lenda de que os telespectadores desligam a TV quando os candidatos
aparecem. Na verdade, os índices do Ibope, quando divulgados, sugerem
que o horário eleitoral tem grande audiência. Foi, por exemplo,
o quarto programa mais visto da líder Rede Globo, na Grande São
Paulo, na semana de 5 a 11 de agosto: alcançou 38 pontos ou 3 milhões
de telespectadores. Mais vistos que o vilipendiado horário político
só mesmo a novela O rei do gado (52), a Terça Nobre e o Jornal
Nacional (40 pontos cada).
O índice de 38 pontos dos candidatos foi superior à soma
dos cinco programas de maior audiência das redes Bandeirantes (um
total de 24 pontos), CNT/Gazeta (15) e Manchete (24) e bateu até
mesmo o pico do Programa Silvio Santos (22 pontos). Os 38 pontos do horário
político eqüivaleram naquela semana à atenção
dada ao fascinante Globo Repórter.
É de se notar que a medição que vale para o horário
político vale para todos os programas: o Ibope diz em que canal
a televisão da casa está ligada, e não tem condições
de afirmar, evidentemente, se as pessoas estão vendo o programa.
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Número 10, julho-agosto de 1996
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